24 de abr de 2018

Minha empatia seletiva com as mulheres do SxSW




 
Comecei o festival num painel em que a brasileira Carla Crippa, diretora de Sustentabilidade da Ambev, contou sobre uma iniciativa social da empresa de direcionar 100% do lucro com a venda da água AMA para a abertura de poços no semi-árido brasileiro. De lá, acompanhei uma discussão sobre o Futuro do Capitalismo e conheci Kesha Cash, negra, fundadora do Impact America Fund e eleita uma das Top Five Game Changers pela Forbes. Saí emocionada depois de uma discussão que envolveu capitalismo consciente, orgânicos e impacto social.
 
Sábado de manhã, resolvi apostar num keynote pelo nome: A armadilha da Mediocridade e não me decepcionei. Carmen Medina tem 58 anos e mal alcançava o microfone, mas seus 32 anos de CIA, sua irreverência e suas lições de rebeldia fizeram todos saírem de lá mais otimistas com um novo perfil de liderança. A estrela do dia era Lena Dunham, escritora e roteirista de Girls, que lotou o maior auditório do ACC, com um figurino bacana e um cabelo desleixado. Estava acompanhada de Samantha Barry, editora da Glamour e ex-produtora da CNN, e falaram sobre autenticidade, quebra de padrões femininos, vulnerabilidade, novos projetos e do incrível newsletter chamado lennyletter.com.
 
No Alamo, assisti a sete curtas bacanas do Shorts Program 3 e quatro deles foram dirigidos por mulheres. Representatividade conta. Domingo, o tema era O novo Ecosistema Espacial e adivinhem? As 3 convidadas eram mulheres: Emily Calandrelli produz o FOX's Xploration Outer Space, Jeanette Quinlan conecta startups aeroespaciais com investidores bilionários e Natalya Bailey trabalha com pequenos satélites, está na lista de empreendedoras da Forbes “30 under 30” e, nas folgas, amamenta um bebê loiro que a esperava na platéia. Para descontrair, o próximo painel reuniu 4 respeitadas diretoras de conteúdo adulto provando que dá para unir sexo explícito e boas histórias. Sigam urgente essas mulheres nos sites: sssh.com, chauntelletibbals.com, pinkwhite.biz e severesexfilms.com.
 
Para falar do Futuro do Trabalho, chamaram apenas Melinda Gates que disse “espero que o Bill esteja em casa com as crianças, conforme combinamos quando sou eu quem está no palco”. Justo, né? Foi mais uma sessão 100% feminina, com metade da mesa bem representada por mulheres negras, Nina Shaw e Stacy Brown-Philpot, ambas com currículos extensos e invejáveis. No próximo evento, desejei ser sócia da criadora do The Wing, Audrey Gelman, que teve a brilhante ideia de abrir um clube feminino de trabalho e incentivo a projetos com 5 sedes no mundo e mais de 5 mil mulheres na fila de espera. Alguém aí quer abrir o The Wing SP comigo?
 
Fora dos palcos, fiquei na casa das meninas da White Rabbit com mais 20 brasileiros e todas as mulheres de lá sabiam o que era Blockchain! Cada café da manhã era um mini TED e eu tentei disfarçar meu deslumbramento. Fernanda Daudt, minha companheira de cama, acordava quietinha diva-Pinterest às 6 da manhã para levar suas bolsas do voltaatelier.com das passarelas de NY para o stand da APEX Brasil. Fernanda Lima e Liniker foram duas que desfilaram pela cidade com suas criações. Aline (na casa tinha 3 Alines poderosas) uma carioca conectadíssima que virou amiga, atraía de influencers do canal GNT a produtores holandeses interessados em co-produzir conteúdos brasileiros. Também aproveitamos baladas open bar entre um whatsapp de vídeo com os filhos e outro, porque não somos de ferro.
 
É claro que eu queria muito que esses 5 dias refletissem o dia-a-dia mundial, mas não sou tão ingênua a ponto de não perceber que foi apenas uma bolha, um flash de como seria bacana viver num mundo igualitário, que valoriza, aposta e dá voz para essa mulherada de sucesso inspirar as que estão a caminho. De qualquer maneira, foi lindo de ver onde podemos chegar quando não nos calam.
(texto publicado também no Chicken or Pasta https://chickenorpasta.com.br/2018/minha-empatia-seletiva-com-as-mulheres-no-sxsw)

    

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