30 de dez de 2011

2011. Uma incógnita.

Termino o ano exatamente onde comecei. Contasse apenas latitude e longitude. A pessoa que está na mesma casa da mesma praia do litoral norte de SP já não é mais a mesma.

Tudo o que aconteceu foi molecular, micro, nano até. Vivi descobertas infra-ordinárias que soariam tolas, ditas a quem despreza o que não é excepcional. Como um novo tempo de infância que é meio nuvem, com pontinhos mágicos que só aparecem para os que ainda acreditam na magia depois de adultos.

Me reescrevi muitas vezes e me deixei ler, finalmente, acima da vergonha de me sentir nua e descoberta.

Andei bastante intransitiva, sem precisar de complemento pra fazer sentido. E também tive amores quase invisíveis, que ajudaram meu coração a desenferrujar um pouquinho.

Viajei com amigas, com uma criança de 5 anos e depois sozinha, sabendo estar inteira em todos os lugares.

Ganhei palavras incríveis das pessoas que encontrei na vida e nos livros. Das novas, 2 entraram para o vocabulário de vez: justamente e sensacional.

Testei meus limites físicos, ganhei calos nas mãos e a certeza de que quando a mente fica forte, leva o corpo por inércia.

Mudei a cor do cabelo assumindo o vermelho do meu dragão chinês, um lado que ruge e dá comichão.

Percebi que me importo mais com o intangível e que improvável não é sinônimo de impossível. Ainda mais em tempos de economia criativa.

Não escrevo a lápis mas comprei uma borracha com formato do bigode de Dalí. Pra apagar a monotonia e lembrar sempre que a loucura é o sal da vida.

Recebemos um bebê especial na família para aprender que até os anjos parecem imperfeitos aos olhos dos homens.

Ano de inícios, indícios, impressões, intenções, 2011 foi indiscutivelmente in.

Hoje não faço mais planos mirabolantes nem peço o que acho que deveria acontecer pra mim.

À meia-noite vou brincar de pular ondinhas com a criança que vai estar segurando forte na minha mão. E vou perder de novo o barco que leva os pedidos pra Iemanjá, minha querida. 

Que o importante deve permanecer impronunciável.
Que o futuro mais bonito é o impensado.
Que o bacana é você ser inédito.