15 de mar de 2012

Profissional

Tinha um consultório chique na Oscar Freire e métodos nada ortodoxos de cura. R$500,00 a consulta e nenhum convênio.

Na placa, alguma terapia de nome complicado. Na sala, as mais diversas práticas sexuais com os pacientes. De todos os sexos.

Os amigos de infância se encontraram na sala de espera. Primeiro veio a inveja de quem seria atendido primeiro. 

No olhar, a dúvida se ela aplicava no outro o mesmo remédio dele. Depois a possibilidade de marcarem os 2 o mesmo horário. 

Ela entendeu e atendeu o desejo. A partir daí viu a chance de curar mais pessoas em menos tempo. Três delas de uma vez, no caso.

Só assim pra dar conta da clientela que dobrou de tamanho.

1 de mar de 2012

Crossover



Num instante muito curto ela sentiu amor e dor. Numa intensidade tão absurda que desmaiou. Acordou no hospital, imobilizada e irada. Diagnóstico: trinca no cóccix.
 
Devolveu as flores com todos os cabos quebrados, dizendo que gostaria de fazer isso com o pescoço dele. Não sem todos os palavrões que cabiam no verso do cartão.
  
Ele ligou do quarto ao lado dizendo que já estava tão quebrado quanto as rosas, mas iria até ela pulando feito saci, só pra se desculpar pessoalmente. A voz dele era macia.
 
Ela duvidou séria e depois sorriu ao vê-lo cumprir a promessa na mesma hora, botando toda a enfermaria do oitavo andar do Einstein atrás dele. Até que não era feio.
 
Era a primeira vez dele com os patins, confessou. Pegou velocidade demais quando a viu, de medo que ela fugisse. Achou que ao menos ela desviaria de um maluco a toda, que nem brecar sabia direito.
  
Ela se deixou atropelar, parecia. Sem querer mesmo, de susto com o que sentiu. Também não sabia muito frear. Agora tinha duas semanas de molho, parada ali. Será que ele era casado?
 
Três meses depois ela voltou aos patins. Já ele, aposentou os seus e fez questão de bancar a fisioterapia dela. Seguro contra terceiros, brincava. O sexo só foi liberado após um mês da alta.
  
Difícil foi frear a vontade. Impossível se machucarem mais. Doeu descobrir o amor assim de encontrão. Fazer o que? Desembestaram.


(este conto foi parar na vitrine de um site lindo chamado Confeitaria e o link está aqui: http://confeitariamag.com/convidado/crossover/ )

* Imagem: The Library of Congress.